5 de maio de 2015

Margarida Martins quer destruir estacionamento para bicicletas no Regueirão dos Anjos


A presidente de junta de Arroios pretende arrancar à força o estacionamento de bicicletas junto à Recreativa dos Anjos bem como o seu pequeno espaço verde sem qualquer dialogo ou justificação através de um ultimato com menos de 24 horas.


Hoje recebemos uma visita da Presidente da Junta de Freguesia de Arroios.

Foi-nos comunicado informalmente, numa manhã de Segunda-Feira, que o estacionamento de bicicletas, há 3 anos à nossa porta, seria removido amanhã, terça-feira 6 de Maio às 13h, e a ‘árvore’ podada.

Ficamos surpreendidos de não ter havido um pedido de reunião, um contacto por mail, algum esboço de diálogo da parte da Junta de Freguesia. No 69 do Regueirão dos Anjos funciona há 4 anos uma Cicloficina, onde mecânicos de bicicleta ajudam voluntariamente quem queira reparar a sua bicicleta. Foi a partir desta actividade que surgiu a necessidade de um estacionamento de bicicletas, inexistente na nossa Rua. Antes de construirmos um, fizemos um pedido formal à CML, sem resposta. A Cicloficina é das nossas actividades mais antigas e foi já reconhecida várias vezes pelo seu trabalho no sentido de promover a acessibilidade das bicicletas no meio urbano. Este estacionamento faz parte deste esforço, é público, o seu uso não tem qualquer restrição, nem contrapartida. Da parte deste executivo, até hoje, não temos visto qualquer estratégia de mobilidade pedonal ou ciclável, o que torna ainda mais caricato o ataque a um projecto que actua voluntariamente sobre estas questões.

Temos várias plantas à nossa porta. Um boldo (Plectranthus barbatus) com 4 anos, um feijoeiro (Prosopis juliflora) com 5 anos, um maracujeiro (Passiflora edulis) que dá fruta todos anos, uma arruda (Ruta graveolens), entre outras. Nenhuma delas é uma árvore. Este canteiro é importante para nós, não só porque podemos (e todos os que passam pela rua) saborear os seus frutos, como também por ser a única mancha verde nesta secção da rua. É comum entre os nossos vizinhos o plantar algum arbusto ou pequena árvore em pequenos canteiros, formas de fazer face ao descaso que faz a história da rua. Estas plantas não podem simplesmente ser arrancadas.

É verdade que o lixo se acumula muitas vezes nesta rua. O Regueirão é esconso, que facilmente funciona como deposito de monos. Cuidamos deste espaço, as escadas que dão acesso à rua pela Febo Moniz, usadas como casa-de-banho pública, têm sido limpas ou porque chamámos os serviços da CML ou pelas nossas mãos. Não é claramente suficiente este esforço. Queremos distinguir disto o uso que tem a rua por diversos sem-abrigo, a indigência não e uma questão estética, com a qual queiramos ter uma relação higiénica.

Estamos dispostos a reunir com a Junta de Freguesia sobre as suas recentes preocupações quanto ao Regueirão dos Anjos. Reiteramos desde já o pedido de estacionamento para bicicletas, em lugar que não obstrua o passeio aos peões. Não obstante estaremos presentes amanhã para falar.

A cidade que imaginamos é feita por quem a vive. Estivemos sempre abertos ao diálogo com os nossos vizinhos quanto ao que nas nossas actividades interfere na vida deles. É isto – o diálogo – o mínimo que esperamos de quem ocupa cargos de responsabilidade pública. Preferimos o descaso à prepotência, forma de agir que tem definido o mandato desta presidente e do seu executivo.

Convidamos todos os que se revejam nestas preocupações a estarem connosco amanhã, às 13h da tarde. Mais do que um estacionamento de bicicletas está em causa um modo de relação, demasiado comum, entre quem gere a cidade e os que a habitam.

P’la Assembleia da Recreativa dos Anjos